Roda de Cura/Centauros Feridos

Arte, saúde e seres híbridos: transgressões e integrações de fronteiras

The man 80 year old on catwalk

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Erick Calistrato

Fui para a faculdade ontem (dia 07/08) de kilt por dois motivos. Primeiramente, para chamar atenção, acho que isso todo mundo já sabe, né. E segundamente, e obviamente mais importantemente (não estou mentindo): Eu quis sofrer preconceito.

Depois de ler uma matéria sobre transgêneros (não confundir com transgênicos) e sobre o Laerte, cartunista brasileiro famoso que resolveu se vestir como mulher aos 65 anos de idade, fiquei muito chocado, mas muito curioso. Procurei mais sobre e encontrei uma entrevista com ele no programa Roda Viva, na TV Cultura. Naquela entrevista, uma repórter fez uma pergunta muito interessante e perturbadora, que foi mais ou menos assim: “Larte, você fazia parte de um grupo que praticamente é imune, né. Branco, magro, classe média, heterossexual, bem sucedido, pai de família. Como é perder completamente essa barreira?”. Eu fiquei muito surpreso em ver que, tirando a parte do “pai” e do “bem sucedido”, a descrição batia com a minha própria! Eu nunca havia parado para pensar o quão fácil e livre de preconceitos a minha vida havia sido até então, sem eu nunca ter feito NADA para “merecer” isso.
Desde então tenho lido muito sobre preconceito, homofobia, transgêneros, exclusão, minorias, cotas. Resolvi aproveitar o presente que minha namorada trouxe para saber como uma pessoa NADA comum se sente em espaços públicos. Estava usando um adereço simples, comum em outros países, símbolo até de status social em alguns lugares, mas extremamente estigmatizado no Brasil. Um kilt é uma saia, e não interessa de onde vem: Se você é homem, você não pode usar saia, senão você é viado. E viados são sujos. Foi mais ou menos isso que eu quase pude escutar dos olhares, cutucadas, risadas e comentários das pessoas nas ruas, no ônibus, no metrô, em casa.

Convido a todos que se acham inteligentes, maduros e sem preconceitos a andar de mãos dadas, ou até abraçado com alguém do mesmo sexo. Ou com uma roupa muito incomum. Ou até mesmo aparentando qualquer defeito físico. Quando você se vê rodiado de pessoas te olhando e fazendo questão de mostrar que estão insatisfeitas com sua aparência, você percebe como é mais fácil ser branco, magro, classe média, heterossexual, bem sucedido, pai de família.


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Mini Look do Dia

Ela consegue usar brilho com naturalidade durante o dia, não erra jamais nas sobreposições e faz o estilo moderninha do Baixo Augusta. Inspirada nas blogueiras que publicam o visual adotado no dia, Natalia Cruz, de 23 anos, criou no Instagram o Mini Look do Dia. Na página, posta as combinações escolhidas para ir trabalhar ou sair à noite. Em dois meses, ganhou 6 600 seguidores. “Muita gente elogiou minha atitude”, conta. “O mundo fashion é plural e não precisa segregar.” Uma de suas regras é jamais divulgar as marcas que usa. “Tem gente que veste as peças porque as recebeu de presente, e não porque as escolheu na loja.” Nascida no Uruguai, ela se mudou com a família para São Paulo aos 5 anos de idade. Formada em design gráfico pela Faap, mora com o pai e a irmã em Alphaville e trabalha em uma agência de publicidade no Brooklin. Com 1,28 metro, realiza suas compras em lojas como a Maria Filó. “Peço ao costureiro para cortar as mangas das blusas”, revela. Recorre a butiques de crianças quando precisa de sapatilhas. “Eu calço 32”, explica. Natalia namora há cinco anos o artista plástico Silvio Senne, de 26 anos e 1,85 metro. “Nós nos conhecemos na boate Glória, na Bela Vista”, lembra. Ele virou o fotógrafo oficial das fotos postadas no Instagram.

Trecho de reportagem publicada pela Veja São Paulo http://vejasp.abril.com.br/cidades/anoes-conquistam-mercado-trabalho/