Roda de Cura/Centauros Feridos

Arte e seres híbridos: transgressões e integrações de fronteiras


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Limites nas vozes de Fayga Ostrower e de João Guimarães Rosa

O entrevistador de João Guimarães Rosa em Berlim apresentou ao público um livro do escritor com contos longos. Guimarães, então, lhe mostrou um novo livro de contos que tinha acabado de sair. O entrevistador notou que era de contos curtos e perguntou ao autor como ele havia chegado naquele novo formato  O brasileiro respondeu que tinha colaborado com um jornal e que tinha limitação de espaço. Mas acrescentou:

Para um artista, toda limitação é estimulante

Fayga Ostrower, artista e arte-educadora brasileira, trata  em seu livro Criatividade e processos de criação dos limites da matéria e de suas delimitações no processo criativo. Diz na página 32

Cada materialidade abrange, de início, certas possibilidades de ação e outras tantas impossibilidades. Se as vemos [as delimitações] como limitadoras para o curso criador, devem ser reconhecidas também como orientadoras, pois dentro das delimitações, através delas, é que surgem sugestões para se prosseguir um trabalho e mesmo para se ampliá-lo em direções novas. De fato, só na medida em que o homem admita e respeite os determinantes da matéria com que lida como essência de um ser, poderá o seu espírito criar asas e levantar voo, indagar o desconhecido.

Desenvolve o tema e na página 160 do mesmo livro afirma que

Do respeito às delimitações advém a verdadeira coragem ante a vida. Inclusive advém a elaboração daquilo que talvez nos seja mais difícil: os limites da própria vida individual, a morte. Os poucos indivíduos que conseguem realizar esta elaboração atingem uma admirável e generosa coragem de viver, a possibilidade de plenamente exercer a vida. Advém-lhes daí a sua dignidade.

Embora Ostrower não restrinja a capacidade de criar aos artistas, refere-se a Goya, Picasso, Rembrant, Cézanne, Mozart e Mondrian ao dizer que os grandes artista (incluo aqui Guimarães Rosa devido à sua obra e à citação acima) criam limites para si. Continua dizendo que ao se defrontarem com eles de modo corajoso, elaboram a própria vida.

Agradeço Lilian Magalhães por ter me apresentado este vídeo


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A Metáfora do Monstro: cura e contemporaneidade

“Curadores feridos e outros frankenteins”, de minha autoria, toma monstros como metáfora, partindo do princípio de que seus corpos híbridos refletem um embate entre aspectos opostos internos ou externos a eles.Em seu percurso, difunde a crença de que a integração dessas forças possibilita o que o autor entende por cura. Em suma, trata de arte (dança, teatro, artes visuais e literatura), criatividade, limites, fronteiras, empoderamento, comunicação entre pessoas com características físicas e culturais diversas, hibridismo, pós-modernidade e inclusão.