DeMon / Curadores Feridos / AMtro

Trespassing of Boundaries and Unification of Differences Through Art


Leave a comment

Abraço coletivo

R.C.Migliorini

Quem segue esse blog sabe que saúde do corpo e forma física associados à arte importam tanto pra mim que eu escolhi dedicar minha vida a eles. Sabe também que logo após eu ter me formado em dança, o lado esquerdo do meu corpo ficou parcialmente paralisado por causa de uma sequela cirúrgica.

Com tal desfecho, essa decisão ficou bem mais complicada, é claro. Contudo, mais de vinte anos depois, continua valendo. Talvez eu já devesse ter desistido, afinal já não sou mais jovem. Porém, fazer o quê se eu sou, no mínimo, teimoso?

Há muito tempo, em uma crise inicial da doença que me levou à cirurgia, eu preparava minha festa de aniversário. Ao comprar refrigerantes, eu conversava com o vendedor com a mão direita em cima do balcão do bar. Enquanto isso, eu escondia atrás das minhas costas a esquerda que, em espasmos, ganhara vida própria e se mexia como uma aranha.

Desde então, passei a evitar ações que expusessem meu corpo “torto”, pois a sequela resultou em uma patologia que aparece mais quando eu me movo. Quando estou parado, pouca gente a percebe. Sendo assim, eu procurava não estender o braço, não caminhar, não cair, não tropeçar em público. Se isso fosse inevitável, eu ocultava ou disfarçava o ato de algum modo.

As minhas ações de camuflagem aumentavam de intensidade se o público fosse de gente atlética, de pessoas com uma grande habilidade de movimento, ou ainda de colegas que atuassem ou dançassem.

Porém, não demorei muito a perceber que esse meu modo de agir prejudicava ainda mais meu corpo, meus movimentos e minha interação com o mundo. Enfim, basicamente comprometia minha segurança e autoestima.

Foi então que um dia, conversando com um rapaz com uma paralisia cerebral grave, vi como ele ficava feliz de ir a um bar com os seus amigos. Não importava que, por ser cadeirante, ele não pudesse subir a escadaria de acesso ao bar nem que fosse carregado escada acima. Muito menos importava sua dificuldade na articulação de palavras e que ele precisasse repetir seu pedido inúmeras vezes – isso depois do garçon ser convencido de sua capacidade de fazê-lo por si mesmo. Ele nem levava em conta sua descoordenação na hora de estender a mão pra chamar a atenção, pegar ou apontar qualquer coisa.

Já que sua deficiência era totalmente visível, aquele rapaz não podia esconder nada nem evitar qualquer ação em público. Mesmo que ocultasse seu braço afetado, o outro, igualmente afetado, teria que ser exibido. Sob a pena de jamais se comunicar verbalmente, não podia emudecer para encobrir uma fala disártrica. Tinha que encarar com tranquilidade ser carregado escada acima até o salão lotado. Porém, em vez de envergonhado e retraído ou achar que estava sendo exposto, apesar de tudo ele ficava feliz por estar com os amigos.

Comecei, então, a pensar em vergonha, exposição, diferenças e limites.

Como eu disse, ambientes de malhação, de grande atividade esportiva e de exibição de corpos malhados, passaram a me inibir muito depois da cirurgia. Porém, em função da conversa com o meu amigo, comecei a encarar esse ambiente e esses corpos de modo diferente.

Eu morria de vergonha de simplesmente andar na frente dos outros. Atualmente, eu até corro nas aulas da academia, ainda que com isso a minha descoordenação fique bem mais evidente. Antes eu evitava movimentar a mão esquerda; hoje me vi na sala de musculação esfregando o rosto com essa mão. Em suma, percebo aí pequenas conquistas.

Eu não estaria correndo nas aulas, ou esfregando a mão esquerda no rosto, se não estivesse me permitindo pagar mais micos, reaprendendo como interagir com as pessoas, aceitando ser o mais desengonçado da sala.

Tampouco estaria me expondo desse jeito se a minha habilidade de rir de mim mesmo não houvesse aumentado. E, pasme: a minha capacidade de rir com os outros também.

Sendo assim, ganhos vieram daí: além dos psicológicos, como melhora da autoestima e aumento da segurança, os físicos. Foi essa exposição que me possibilitou começar a ir em um ambiente em que profissionais, atividades e frequentadores focam o trabalho com o corpo e seus movimentos. Até jiu-jitsu eu estou fazendo.

Sobre o último, eu coloquei a palavra Awhi (pronunciada áfi) na minha faixa. Ela é uma palavra do povo maori da Nova Zelândia, que significa abraçar, acolher, aceitar, louvar e, em tradução livre, porque não encarar? Pra completar, soube que um dos povos do Xingu diz que, quando caímos é porque o chão quer abraçar a gente. Assim, meus respeitos aos chãos e aos tatames da vida. Graças aos abraços de e em um tatame estou encarando e abraçando cada vez mais, assim como cada vez mais sendo abraçado por pessoas, corpos ou movimentos.

Não importa se são meus, dos outros ou seus. O fato é que esse abraço coletivo está ficando cada vez maior – e melhor!

ago 2019

textos relacionados: <https://rodadecura.wordpress.com/2017/10/04/o-patinho-feio-versao-danceability/> < https://wordpress.com/block-editor/post/rodadecura.wordpress.com/1837 >

Advertisements


Leave a comment

Alpinismo e reabilitação: um diálogo

Baseado em texto dedicado a Vitor Negrete, amigo e alpinista (In memorian).

 

Como leigo em matéria de alpinismo, sei sobre o assunto apenas o que vi e ouvi em filmes, revistas ou conversas. Entretanto, atrevo-me a falar sobre o assunto nos meus termos, ou seja, de acordo com as minhas percepções pessoais,

Lembro-me que nos tempos de graduação eu ficava fascinado ao ver do ônibus colegas de universidade escalando uma das paredes externas da Faculdade de Educação Física. Acho que, desde aquela época, eu pressentia a semelhança entre andar e escalar.

Certa vez, ouvi alguém comentar que para ultrapassar uma pedra (ou garra, se bem me recordo do jargão usado para designar as pedras artificiais presas no paredão) e chegar à outra, equilíbrio era necessário.

A palavra “equilíbrio” chamou minha atenção, pois eu achava que escalar era uma questão de força ou de habilidades outras que não o equilíbrio, e até aquele momento eu nunca havia pensado na necessidade dele quando nos apoiamos nas duas mãos e nos dois pés ao mesmo tempo, como quase sempre ocorre na escalada.

Contudo, para escalar, a pessoa geralmente tem de empurrar as garras de baixo com os pés, e puxar as de cima com as mãos. Como as garras não se movem, são as pernas que se esticam e os braços que se flexionam fazendo o corpo galgar a parede de escalar. Quanto mais rente ficar do paredão, melhor, pois caso a pessoa afaste muito o tronco da parede, perderá o equilíbrio e cairá. Isso será relativamente fácil se ela começar uma escalada apoiando-se simultaneamente em quatro garras: uma mão e um pé em cada uma. Não obstante, a dificuldade aumentará se em outro ponto ela apoiar os dois pés em uma mesma garra e as duas mãos em outra. Certamente força é muito importante, mas o alpinista sempre deverá manter controle do tronco.

Para fazer movimentos semelhantes estando em um plano horizontal, e não em uma parede vertical, seria preciso ficar de gatinhas como um animal de quatro patas. Depois, para dificultar, diminuir gradualmente o número de apoios: primeiro, apoiar-se nos dois pés e em uma mão, depois, nas duas mãos e em um pé, em seguida, no pé e na mão de lados opostos do corpo e, finalmente, na mão e no pé do mesmo lado. Esticar braços e pernas, ou encolhê-los e aproximar mão e pés do corpo também influi no equilíbrio.

Pois há um exercício de equilíbrio em fisioterapia exatamente assim — e não é nem um pouco fácil.

Ora, olhando mais de perto para o alpinista e para o paciente de fisioterapia, percebemos que ambos têm a mesma necessidade de equilíbrio em seu movimento básico. Podemos, então, imaginar em seus movimentos uma escala ou um aumento gradativo de dificuldade para manter o equilíbrio conforme o tronco se afasta do chão e ganha altura e conforme os apêndices do corpo se movem. Essa lógica permanece quase inalterada nos planos vertical e horizontal.

Permanece também quando se refere a animais, plantas ou construções. Assim, é possível falar do equilíbrio de um edifício muito alto, das raízes largas que formam uma boa base para uma árvore ou do equilíbrio de um macaco-aranha que anda em paredes rochosas tão agilmente quanto se estivesse no chão.

Em minha opinião, a sabedoria que o alpinista adquire no confronto de suas intenções e corpo com o meio, e os consequentes movimentos que precisa realizar para conseguir alcançar seu intento — que é escalar —, assemelham-se, em muito, à sabedoria que a pessoa precisa adquirir a fim de andar ou reabilitar-se.

Seriam diferentes os espaços em que atuam? Certamente, bem como a necessidade de refinar mais ou menos a percepção corporal de cada um de acordo com suas intenções, seja ela subir uma montanha ou uma ladeira. Mas os princípios que regem os movimentos de ambos são os mesmos.

Assim acredito que se fôssemos flexíveis, humildes, tolerantes e soubéssemos respeitar um conhecimento diferente do nosso, não apenas trocaríamos mais informações, mas também aprenderíamos mais uns com os outros. E talvez nesse diálogo descobríssemos mais pontos em comum do que pensávamos.

11264897_736219919834835_5478200190280218886_n


2 Comments

Ground Zero – 2018 Proofread

Some people see my book as an exercise of self-pity. To show this is not the case, I decided to ground the ideas it revolves around on a conceptual starting point, a ground zero as I put it. Therefore, the readers would do good to at least read through this essay to follow suit the saying: “haste makes waste”.

I graduated in dance from UNICAMP (University of Campinas) in 1990. Close to the end of the course, I was doing dishes when, suddenly, my left hand got inexplicably very weak; so much so that I could not hold a glass. I hurried to the doctor then. After hearing me out, he told me that I had an inflammatory muscular condition; so he prescribed me anti-inflammatory drugs.

Because of my dance training as well as my personal experience in other physical activities, I knew that this diagnosis was not right. Therefore, I did not take the medicine prescribed by him. However, almost a year later I went back to him as both the tip of my nose and my skin got numb or itched often. All he did was to ignore my complaint and scold me for not having obeyed his orders one year before.

As the frequency and intensity of these occurrences increased, I went to see another doctor. She told me that I had a neurological condition and that I had had partial convulsions that due to a pinched nerve streamed either from the central nervous system or from the peripheral one.

It made sense to me, but even so, all the symptoms I was having just started to seem right when I threw a party to celebrate my birthday. While I was buying some drinks, I talked to the bartender with the right hand over the counter while hiding the left one behind my back as it moved like a crawling spider. What had seemed funny and intriguing to me at first, became so frequent and intense along the party that I rudely left my friends in it and ended up celebrating my birthday alone in the hospital thinking about death rather than celebrating life.

I spent the night and almost the whole of the next day over there, and the doctors were certain now that I had a problem with the central nervous system. Therefore, they scanned my brain. With that, they discovered a strange body in it that would probably grow. Nevertheless, it was neither possible neither to make a precise diagnosis of what I had nor to define the severity of it. Even so, the renowned scholars of the Medical School at UNICAMP were quick to give me their “verdict”. I use this word because it better describes the fact rather than the word diagnosis, since that previously to any testing, those doctors were certain I must have an AIDS-related disease just because they inferred I was gay. Sticking to their judgment and leaving aside any ethical standards, they abandoned my case as they were certain of my imminent and inevitable death,. Fortunately, a medical student interned at UNICAMP hospital and that had seen me at the students’ house, arrived on the scene and decided to take charge of my case.

Following an open diagnosis as my tests results were not ready yet; she restated her lecture’s verdict by prescribing me drugs for a severe case of toxoplasmosis only found in patients with immune deficiencies. Nevertheless, instead of responding well to the treatment, I only got worse. However, the worst was when I hurried back to the hospital in a helpless panic because due to some strange sensations caused by the fit-controlling drugs, I thought death was just around the corner. To calm me down, she said AIDS was neither different nor more severe than any other disease [1]; In fact, she told me, it was as if I had a brain tumour impossible to be removed surgically. By saying this, she placed my case somewhere between AIDS and a lethal, non-removable form of brain cancer. Since the results of my tests had not come yet, I faintly hoped that my case was not so severe and that I had something else.

Fortunately, for the sake of my mental health, I left Campinas, the city where UNICAMP is based, and went back to São Paulo, my hometown, and where my family and the doctors we trusted lived. At first, they agreed with their colleagues, especially about cancer, but they also believed in other more promising and less severe possibilities. Still, all of them agreed that my case required surgery. After the operation they sent whatever they had removed from my brain to be analyzed, and only after that did they close a diagnosis. To my relief, my hope came true, and I had neither AIDS nor deadly cancer. Instead, I had “something else”.

“Something else” meant neurocysticercosis, a disease caused by flatworm eggs. Although it can be deadly and impossible to heal by surgical procedures, it was not my case. Nevertheless, a brain surgery may cause permanent disability to the patient. To minimize this risk, the doctors were very careful. They left me awake during part of the operation so that they could ask me questions and from my replies differentiate the brain tissues from the cyst.  However, even so,  the operation left me with a permanent motor after-effect that although a minor one, would change my life forever.

I was relieved and grateful for being alive. However, I would blame that medical student from Campinas for that perhaps unnecessary and life-changing fright. Later on, though, I came to think: what if I had AIDS? And concluded: undoubtedly, she would have taken care of me and held my hand when my time on earth finally ended. Actually, I should have blamed her lectures instead as rather than abandoning me alone, they abandoned her as well. After all, they had let that young and unseasoned medical student solve a serious problem all by herself. Besides disgusting doctors, they had been lousy teachers as well.

Within her possibilities, she had been perfect. As a possible terminal patient, all I expect was to get attention from people that really cared for me rather than to be miraculously cured. Because of this painful process, I came to see death as universal and inevitable, as a natural fact, so that neither doctors nor patients can be untouched by it.

Sometimes I still get mad at it all and call the King of kings and Lord of lords, the Sod of sods and Divine S.O.B. However, thanks to it, I have thought about things we must let go. After all, what is life but a succession of symbolic labours and losses between real ones? If part of me died in that operation theatre, another one, unknown even to me, was born in that very same place.

[1] In 1992 there were not the drug cocktails that turn AIDS into a chronic condition.


Leave a comment

DOR E JÚBILO

R. C. Migliorini

DOR

Certa vez, uma atriz que teve um câncer de pele falou disso em entrevista. Disse que a doença logo diagnosticada havia formado apenas uma pequena mancha na pele. Felizmente, essa pinta foi retirada sem que, nem ao menos, uma pequena cicatriz tenha ficado para contar a história.

 

Ao falar do ocorrido, a atriz ficou extremamente comovida. No princípio, sua reação me pareceu sem sentido e exagerada. Contudo, refletindo melhor sobre o assunto, conclui que o que o insignificante para mim, havia sido muito sério para ela.

 

JÚBILO

É comum pensar que uma pessoa sem uma deficiência séria, doença grave ou situação socioeconômica adversa tem a obrigação de ser feliz. Afinal, pessoas assim, podem ter muitas atividades, algumas vezes, até mais vantagens que a maioria das outras. Então, por que se queixam?

Esse discurso me parece de uma tremenda violência, pois obriga a pessoa a calar seus sentimentos. Em última instância, a faz se conformar com uma situação desconfortável, ao sugerir que é “errado” se queixar. A pessoa tem que ser sempre feliz, como as princesas e os príncipes dos contos de fadas.

Vou ilustrar esse discurso com um exemplo pessoal. Eu me lembro de que logo após minha cirurgia eu peguei um ônibus, e não sei por qual razão, discuti com o cobrador. A sua reação não foi a de me ouvir, mas sim a de dizer pra eu não descontar a minha raiva, a minha revolta, ou sei lá o quê, nele.

Fosse realmente isso e ele estaria certo, pois ninguém merece ser tratado como saco de pancadas de ninguém. Mas ele queria, ou melhor, exigia e esperava que eu, como deficiente, fosse sempre feliz e cordato. Pior, que aceitasse seu atendimento ruim. Para ele, eu teria que aturar injustiças sorrindo; aceitar ser vilipendiado com complacência e me calar ao ser tratado de forma grosseira.

Em resumo, pessoas, doentes, acamadas, idosas ou deficientes são sempre “frágeis”. Por isso, não podem sentir raiva, nem se queixar. A contrário, devem ser naturalmente boas e nunca sentir dor, tristeza, frustração e, muito menos, reagir. Se o fizerem, serão logo taxadas de revoltadas.

 

CONCLUSÃO

Portanto, há que se respeitar a dor e o sofrimento alheios, bem como a própria. Porque, até onde sei, independentemente da “cara” de cada um, todos partilhamos de uma alma, de um coração e de sentimentos muito parecidos. Não se deve, portanto, comparar dor e, muito menos, impor felicidade.


Leave a comment

Ao infinito…. e além!

R. C. Migliorini

Desde que fiz a cirurgia em 1992, fiz raríssimos cursos de dança. Isto me faz parecer um profissional negligente, uma vez que eu sou bailarino, coreógrafo e professor de dança. Por estar relendo um texto em que o cito, lembrei-me de um feito em 2014. Ia republicar o artigo original, no entanto, achei por bem apenas basear-me nele e escrever outro totalmente novo.

Eu falava de dançar com um corpo que adquiriu uma semiparalisia. Pois bem, como “dono” desse corpo, confesso que, ao mesmo tempo em que, pra mim, dançar é um imenso prazer, não deixa de ser frustrante.

Quando eu danço, não gosto de me confrontar com meu jeito de locomoção, uma vez que ele não se harmoniza mais com os movimentos que eu faço com o resto do corpo enquanto eu danço. Certas horas, por exemplo, eu coloco o pé em um determinado lugar, tipo muito perto do outro, simplesmente para não cair e, num ritmo que não se relaciona em absoluto com a cadência dos movimentos do braço. Nessas horas, a dança é secundária ou mesmo inexistente, pois a coordenação dos movimentos é quebrada por inteiro.

Tampouco é agradável tentar fazer um gesto preciso com o braço afetado, e ele meio que continuar, porque eu não consigo pará-lo. Por exemplo, ao tentar tocar a testa de alguém, eu posso perder o controle do braço e da mão e aproximá-los com muita força e rapidez da cabeça da outra pessoa. Assim, um toque que era pra ser suave pode virar um tapaço.

Porém, estar disposto a dançar, movimentar o braço semiparalisado e sentir minha maneira de andar não deixa de ser um progresso, já que meses antes eu não me disporia a fazer isso simplesmente porque essas coisas iriam aparecer.

O resultado dessas contradições é que há dias em que sinto prazer ao dançar e dias em que me estresso. Então, no isolamento da minha casa, eu busco o meu centro. Faço isso recorrendo à trabalhos somáticos, yoga, relaxamento, controle da respiração e, sobretudo, muita intuição. Mas diga-se de passagem, isso também pode ser bem desconfortável porque, querendo ou não, mente e corpo brigam dentro de mim.

No entanto, essa dinâmica me mostra que tudo bem se sentir frustrado, desanimado, ansioso… Faz parte. Até porque são esses sentimentos que dão início aos processos que nos levam a avançar. Talvez bem mais devagar do que gostaríamos, mas sempre.

Fev/2018


Leave a comment

TENSIONAR NÃO É PRECISO

texto escrito em 2013 para o site fãs da psicanálise. Revisado e republicado em 2019

R. C. Migliorini

Este é o primeiro texto do ano. Contudo, ele não é tão próprio para esta época, pois nele apenas menciono que coisas maravilhosas aconteceram em 2013. Embora elas tenham tido continuidade neste início de 2014 que, portanto, já começou bem, algumas, muito necessárias, ainda não aconteceram. Deste modo, por mais que eu tente, relaxar é bem difícil.

Falo aqui do relaxamento porque já faz algum tempo que eu estou com a palavra na mente. Ainda que eu já tenha escrito sobre o assunto, por ele me parecer bem importante e ainda não ter sido esgotado, resolvi prosseguir com ele.

Apesar do meu interesse no tema ser bastante atual, pode-se dizer que sua semente foi plantada há muito tempo. Quando eu era pequeno fiz ludo-terapia e uma das técnicas usadas ali, era o relaxamento. Foi a partir daí que eu comecei a gostar da coisa, até porque naquela época relaxar fez muito bem a mim. Depois, ao longo da vida eu voltei a me deparar com o procedimento inúmeras vezes, e voltei a fazê-lo na prática somática que adotei. Invariavelmente, todas as atividades corporais que agregam mente e corpo usam bastante o relaxamento.

Assim, venho me perguntando sobre a sua função em contextos de cura.

Especificamente sobre terapias somáticas, Martha Eddy em “A brief history of somatic practices and dance” diz que nessas práticas as pessoas dedicam-se a “ouvir o corpo”, em geral começando com o relaxamento consciente no chão ou em mesa de massagem. A partir deste estado de redução de gravidade são orientadas , em primeiro lugar, a prestar atenção nas sensações corporais que brotam do seu interior, em segundo, a se movimentarem delicada e lentamente para adquirir uma consciência mais profunda do “self” que se move.

Aí estão algumas pistas: relaxar significa aquietar corpo e mente para ouvi-los e ouvir-se a si mesmo. Em geral, isso é algo que nossa cultura e nosso estilo de vida nos impedem de fazer. Se a cisão conosco mesmo começa assim, relaxar, embora pareça o extremo da passividade, é uma forma ativa de começar a restaurar a nossa integridade.

Sendo assim: relaxar, é preciso.

O menino está com as costas retas, com os pés bem apoiados e com a feição do rosto relaxada, assim como com os ombros, braços e mãos bem soltos. Tanto é assim, que ele está bem confortável, feliz e e tranquilo


Leave a comment

O poder da comunicação não verbal

R.C.Migliorini

O homem está só diante do incompreensível: angústia, medo, atração, mistério. As palavras de nada servem. Para que dar a isso nomes como Deus, Absoluto, Natureza, Acaso? O que é preciso é entrar em contato. O que o homem busca, para além da compreensão, é a comunicação. A dança nasce dessa necessidade de dizer o indizível, de conhecer o desconhecido, de estar em relação com o outro.

 O homem faz parte de um dado grupo. E tem necessidade de se sentir fazendo parte integralmente desse grupo: de estar em relação com os outros. Mais do que as leis, os costumes, os trajes e a linguagem é o gesto que vai dar existência a essa união. As mãos se juntam, o ritmo une as respirações, a dança nasce.

Maurice Béjart

O corpo é o espelho do pensamento. […] O movimento físico é o primeiro efeito normal de qualquer experiência mental ou emocional.

John Martin

Introdução

Lembro-me de que há alguns anos foi encenada uma peça soibre o romance Vidas Secas de Graciliano Ramos. Um dos atores
foi premiado por sua interpretação. Justamente aquele que interpretava a cachorra Baleia. Ele não falava uma só palavra durante a peça. Limitava-se a coçar-se, andar de quatro, encolher-se embaixo da mesa. Assim, por meio de ações corporais, demonstrava estados de alegria, medo, prontidão e assim por diante. Expressava-se não por palavras, mas somente pelo movimento.

Outro exemplo – este de 2003 – é o filme estrelado por Tom Cruise, “O Último Samurai”. O filme retrata um soldado americano que foi ao Japão para liderar uma luta contra rebeldes samurais. Apanhado, foi levado à aldeia em que eles viviam e nela mantido prisioneiro durante todo o inverno. Entretanto, como nessa estação a aldeia ficava isolada do resto do país pelas altas montanhas nevadas que a circundavam, não havia razão para mantê-lo em uma cela. Por essa razão, ele circulava livremente na vila e, enquanto isso, observava seus habitantes e interagia com eles.

Acaba assim, entendendo a cultura e os valores daqueles guerreiros. Passa até mesmo a aprender e treinar o Kendo (o caminho da espada). Se ambas as partes estavam impossibilitadas de se comunicar pela palavra por falarem línguas diferentes, isso não impediu que se conhecessem, nem que viessem a se querer bem, pois os olhares, os gestos e os comportamentos diante das várias situações que surgiam “diziam” o que não podia ser expresso em palavras. Enfim, foi a partir do que viram um no outro e do que deduziram pela observação dos elementos não verbais, que os inimigos originais começaram a se conhecer, se respeitar e se relacionar, tornando-se grandes amigos.

Comunicação não verbal

Certa feita,  em viagem de férias a uma ilha do Mediterrâneo, o coreógrafo Maurice Béjart teve a oportunidade de viver durante algumas semanas a vida dos pescadores locais. Notou, então, que ao regressavam a terra após o dia de trabalho, quando se sentavam e começavam a conversar, acabavam discutindo. Nesses momentos, reinava a incompreensão. Entretanto, quando começavam a dançar, a vida era celebrada sem palavras e havia harmonia e a união entre eles.

O relato dessa experiência sugere a importância do movimento e o fato de, às vezes, ele ser muito mais eficaz para a harmonia e união das pessoas do que a palavra falada, exatamente porque possibilita um diálogo apenas baseado em sentimentos e emoções, e não no raciocínio e na argumentação.

A primeira vez que senti o poder do movimento para unir pessoas foi há mais de vinte anos, quando vi o vídeo de uma companhia de dança de bailarinos surdos dos E.U.A.

Era notável o respeito que os integrantes da companhia nutriam pelo movimento e pelo corpo do(a) companheiro(a) de palco. O motivo, creio eu, residia no fato de o movimento representar para eles uma possibilidade de contato, organização e expressão de algo impossível de ser abarcado de forma racional e também por ser um elemento de comunicação importante, um modo de chegar ao outro. Será preciso que fiquemos impedidos de nos comunicar verbalmente para entender o poder da comunicação não verbal para um diálogo verdadeiro?

Passos com paixão

Em 2007 a teóloga belga radicada na Holanda, Lieve Troch organizou o livro Passos com paixão: uma teologia do dia-a-dia. Escrito por três mulheres, a obra é marcada por experiências pautadas no cotidiano, pois, conforme creio, a teologia – talvez vista por mim de forma extremamente simplificada – nada mais é do que a soma de reflexões acerca da união com o divino que há em nossos corpos e alma, nos corpos e almas das outras pessoas e também nos objetos e locais mais diversos. Portanto, ao contrário do que costuma sugerir a visão teológica patriarcal, para essas teólogas o divino também se manifesta em espaços prosaicos como cozinha, praia, aeroportos, interior de vasilhames e por meio de ações simples como dançar, festejar, cantar, andar à beira-mar, cozinhar, comer, limpar, tentar se comunicar com o outro, ou ainda, como na prosa e no verso de duas outras mulheres, Clarisse Lispector e Adélia Prado, ao se fritar um ovo ou ao se limpar um peixe. O fascinante é que nenhuma dessas ações e expressões se pauta necessariamente no verbal e quando acontece, ele é usado mais para ampliar as experiências sensoriais e emocionais do que para defender ideias e pontos de vista.

No mesmo livro, em seu texto Exercícios em maravilhar-se: fronteiras e transgressões de fronteiras na teologia feminista, Troch fala das áreas fronteiriças, da terra de ninguém e do prazer que sentia quando ia à praia, em sua infância. Nessas ocasiões, gostava de “ficar horas a fio na linha do fluxo da maré, na fronteira onde a água e a terra se encontram”. Afirma que essa é uma fronteira em mutação constante por causa da movimentação ininterrupta da água e da areia. Além disso, ela também tem uma “cara” própria que não é nem a da terra e um nem a do mar. Para Troch, andar por horas a fio nessa linha em contínua mutação, dá a entender que se é capaz de mudar as próprias fronteiras e os próprios limites.

Então, de forma coerente com o título do seu artigo, pensamentos sobre fronteiras, terras de ninguém, frequentadores forçados de fronteira, identidade, interculturalidade, mestiçagem, hibridismo, relações de gênero, zonas de contato, questionamentos versus busca de conexões, assim como tensões entre restrição e liberdade, cultura global e local, centro e margem percorrem todo o texto. A autora salienta: na verdade temas ligados à fronteiras e transgressão de fronteiras são uma paixão feminista-teológica.

Mas por serem intrigantes, questões relacionadas à fronteira não se restringem apenas às abordagens feministas. O teólogo Paul Tillich referiu-se a ela em um livro autobiográfico intitulado On the Boundary (Na fronteira). Nele conta que na introdução de outra de suas obras, Religious Realization, escreveu: “A fronteira é o melhor lugar para adquirir conhecimento”. Ele também vê o conceito de fronteira como o símbolo mais adequado para todo o seu desenvolvimento pessoal e intelectual. Em quase toda a sua história, diz, viveu “entre possibilidades alternativas de existência, sem se sentir realmente à vontade com nenhuma e sem adotar uma posição definitiva em relação a elas”. Segundo ele, o pensamento pressupõe receptividade a essas novas possibilidades, e essa posição, embora frutífera para o pensamento, também é difícil e perigosa em relação à vida. No livro, sempre discute uma possibilidade em relação à outra, mesmo quando as opõe. Por fim, afirma que a fronteira maior é aquela existente entre o Eterno e as possibilidades humanas, pois, na presença do Eterno, o que nos parece central em nosso ser é periférico e fragmentário. (Tillich, 1967, p. 98)

Contato x isolamento

Da mesma forma que existem fronteiras entre lugares, existem entre corpos. Suas balizas são as simples diferenças entre um e outro corpo e o isolamento,  por vezes físico, desses corpos. A pele, por exemplo, distingue (isola) um corpo dos corpos e objetos circundantes. Dessa forma, um simples gosto alimentar destaca um corpo do outro, como também opiniões filosóficas, escolhas de vida, idade, cultura, características físicas, crenças religiosas, orientação sexual e limitações espaciais e físicas. Todas essas diferenças os impedem de se fundirem, misturarem e amalgamarem em uma massa informe.

Enfim, são inúmeras as diferenças, limites e fronteiras que, além de permearem a humanidade, demarcam todas as nossas experiências. Tanto é assim que a Gestalt afirma que seríamos incapazes de perceber o mundo sem diferenças, limites, fronteiras ou demarcações.

Porém, limites e fronteiras, isolam ao passo que simultaneamente são pontos de contato, de forma que em alguns momentos, podemos transcender tal isolamento de modo saudável (1) ao unir corpos em uma dança e permitir que o silêncio ou o emudecimento abafem os ruídos do choque de ideias que frequentemente impedem essa união.

Física escolar

Se bem me lembro das lições de física da escola, quando dois corpos são unidos, é como se formassem um terceiro. Sendo assim, o eixo gravitacional de cada um é deslocado para o espaço entre eles. O mesmo se dá quando vários corpos se unem para formar outro como, por exemplo, em uma roda formada por várias pessoas. Cada corpo individual tem seu próprio eixo, mas ao se unirem para formar o círculo, esse eixo é deslocado para o centro dele. Essa sensação é sentida no físico de cada indivíduo que forme o círculo e também é comum ser seguida por uma resposta emocional, pois quando o círculo se movimenta, o indivíduo sente-se maravilhado pela simples razão de estar se movimentando em torno de um eixo que está fora de seu corpo, no centro da roda. Nessa experiência, ele transcende os limites do corpo individual e passa a fazer parte de um corpo coletivo. Os movimentos não são mais produzidos só por ele, e sim por todos.

Guerreiro – dançarino

Para escrever este artigo, acabei vendo algumas imagens do “Último Samurai” na web. Uma das imagens me chamou a atenção. Os dois protagonistas do filme treinavam Kendo, isto é: técnica tradicional de combate com espadas dos samurais do japão feudal. Ao vê-la, ocorreu-me que, assim como a dança, a luta também lida com fronteiras e suas transgressões.

A luta trata da defesa de fronteiras, mas para as defender e demarcar, ela as obriga a se tocarem. No kendo, a luta do filme, por exemplo, esse toque é feito com as espadas. Quando elas estão como que coladas uma â outra, os combatentes giram, mantendo-as unidas. É como a experiência da roda mencionada acima. Outro eixo, no caso um concreto e material, é formado entre os dois.

Mesmo sem entender muito de lutas, creio que algo semelhante se dá em todas. E os consequentes movimentos de aproximação, afastamento, ataque, defesa, ameaça e muitos outros sugerem uma dança.

Talvez isso tenha sido sentido ou explicitado por alguns coreógrafos como Rudolf Laban e Ohad Naharin. O primeiro era filho de um oficial do exército austro-húngaro e observou a movimentação dos soldados nas inúmeras visitas que fez com o pai aos batalhões do exército imperial. Já Naharin serviu o exército israelense e Tomer Heymann, diretor do filme Mr Gaga, sobre a vida e obra do coreógrafo, sugere que sua passagem pelo exército é essencial em sua obra.

Rudolf Laban baseou grande parte de seu método de análise do movimento na observação de movimentos militares. Esse método presta-se tanto ao trabalho com profissionais, por seu alto nível de exigência e criatividade, quanto ao trabalho com amadores, de crianças a idosos, dado seu caráter simples e intuitivo. Mais de meio século depois, Ohad Naharim fez o mesmo com o método Gaga.

O bailarino e coreógrafo contemporâneo brasileiro Eduardo Fukushima afirma em entrevista que uma de suas fontes de inspiração é um estilo de Tai Chi Chuan originário do sul da China. Ora, o Tai Chi Chuan é uma luta utilizada por vários bailarinos e coreógrafos, brasileiros e estrangeiros. Na faculdade de dança da Unicamp, era uma das matérias obrigatórias, assim como a Capoeira, outra luta, essa brasileira.

Considerações finais

Troch coloca que a formação de teorias e teologias feminista tematizam fronteiras e transgressões de fronteiras em seus métodos de trabalho, de forma que temas fora das fronteiras do estritamente teológicos passam a ser constante fontes de reflexões teológicas. Nesse sentido, apesar de, segundo o que penso, as artes – sobretudo a dança – e os artistas  não serem levados muito a sério pelos meios acadêmicos e até mesmo pelo senso comum, ganham cada vez maior interesse e respeito. Isso me parece bastante promissor, já que, assim como entre as pessoas, eu sinto que há um embate desnecessário entre diferentes campos do conhecimento. No entanto, ser capaz de atuar sobre a angústia do ser-humano é primordial para mim como artista assim como, creio eu, para grande parte dos teólogos e teólogas. Afinal, a fronteira é ou não o melhor lugar para se adquirir conhecimento?

Quiçá, por meio da dança, do movimento e da relação corporal com o outro, logremos nos sentir parte do todo e sermos capazes de dizer — não necessariamente com palavras —, a quem estiver ao nosso lado: o Deus que há em mim saúda o Deus que há em você. Namastê.

Notas:
(1) falo de transcender um isolamento fronteiriço de forma saudável tomando como exemplo do contrário a esquizofrenia. Ela é uma forma patológica de perda de fronteiras e de fusão com o outro e com o meio.

Referências

AMARAL, Leila. Maurice Leenhardt: Antropologia e missão. In: TEIXEIRA, Faustino (org.) Sociologia e religião: enfoques teóricos. Petrópolis: Vozes, 2003

BALDWIN, Stephen C. Pictures in the air: the story of the National Theatre of the Deaf. Washington, DC: Gallaudet University Press, 1993.

BATERNIEFF, Irmingard. Coping with the environment. New York; London: Routlege, 2002

BÉJART, Maurice. Prefácio In:* GARAUDY, Roger. Dançar a vida. 2ª edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.

BOFF, Leonardo. A vida dos sacramentos e os sacramentos da vida. Petrópolis: Vozes, 1979.

BRANDÃO, Eli. (2005). …E o divino se faz verbo: conjunções entre símbolo e metáfora. Estudos de Religião. Ano XXI, n. 29: 160.

CAMPBELL, Joseph; MOYERS, Bill. O Poder do Mito. São Paulo: Palas Athena, 1990.

CANCLINE, Nestor Garcia. Culturas Híbridas: estratégias para entrar e sair da modernidade. 2ª edição. São Paulo: Universidade de São Paulo, 1998.

CASTRO, Clóvis Pinto de. (2005) Ausência dos banquetes na realidade cotidiana: falta de pão e bebida como tema da ética teológica. Estudos de Religião. Ano XXI, n. 29: 147.

COELHO, Paulo. O teatro na educação. 2ª edição. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1978.

Conectedance Videos. Eduardo Fukushima. Homem Torto. Disponível em http://www.conectedance.com.br/videos/eduardo-fukushimahomem-torto/>. s/d. Acesso em 15/11/2017.

GUERRA, Maria Helena R. Mandacarú. (2007). Espírito da terra: a religiosidade popular da América Latina. Jung & Corpo. Ano VII, n 7: 7.

JANÔ, Antonio Januzelli. A aprendizagem do ator. São Paulo: Editora Ática, 1986.

LABAN, Rudolf*. Modern educational dance*. 3ª edição. London: Macdonald & Evans, 1975.

LABORIT, Emmanuelle. O voo da gaivota. São Paulo: Best Seller, 1994.

MADURO, Otto. (2005) Fazer teologia para fazer possível um mundo diferente: um convite autocrítico latino-americano. Estudos de Religião. Ano XXI, n. 29: 113.

MARTIN, John. A dança moderna: (Partes I e II). (2007). Proposições. vol.* 18, n. 1 (52): 229.

MARTIN, John. A dança moderna: (Partes III e IV). (2007). Proposições. vol. 18, n. 2 (53): 217.

MIRANDA, Regina. O movimento expressivo. Rio de Janeiro: FUNARTE, 1980.

O Último Samurai (The Last Samurai): Direção: Eduard Zwick. Roteiro: John Logan; Eduard Zwick. Produção: Eduard Zwick; om Cruise. Música: Hans Zimmer. Fotografia: John Toll. Desenho de Produção: Lilly Kilvert. Figurino: Nigila Dickson. Edição: Victor Du Bois; Steven Rosenblum. Intérpretes: Tom Cruise; Ken Watanabe e outros. Hollywood (CA), Warner Bros, 2003 [E.U.A.]. (154min), sonoro, colorido, 35mm. Inglês.

PERRONE, Marcelo. Documentário “Gaga: O Amor Pela Dança” destaca a trajetória do coreógrafo israelense Ohad Naharim. Disponível em https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/cinema/noticia/2017/04/documentario-gaga-o-amor-pela-danca-destaca-trajetoria-do-coreografo-israelense-ohad-naharin-9768045.html. 09/04/2017. Acesso em 20/11/2017

PIERIS, Aloysius. O diálogo inter-religioso e a teologia comparativa: uma perspectiva asiática. São Bernardo do Campo: Ed Nhanduti, 2008.

SACKS, Oliver. Vendo vozes: uma viagem ao mundo dos surdos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

SCHOEFER, Brian. The Secret History Of The Israeli Choreogrpher Ohad Naharin. Disponível em https://www.newyorker.com/culture/culture-desk/the-secret-history-of-the-israeli-choreographer-ohad-naharin. 01/02/2017. Acesso em 20/11/2017.

SILVEIRA, Nise. Jung: vida e obra. 9ª edição. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984.

TILLICH, Paul. On the boundary. London: Collins, 1967.

TOUCHARD, Pierre-aimé. O teatro e a angústia dos homens, São Paulo: Duas Cidades, 1970.

TROCH, Lieve (org). Passos com paixão: uma teologia do dia a dia. São Bernardo do Campo: Nhanduti, 2007.

TROCH, Lieve. Espaços de sabedoria e graça: educação teológica para a transformação. (2005). Estudos de Religião. Ano XXI, n. 29: 132.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Kendo. dez/2004. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Kendo#Hist.C3.B3rico&gt;. Acesso em 19 nov. 2017