O Centauro Ferido/Roda de Cura

Arte, saúde e seres híbridos: transgressões e integrações de fronteiras


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TENSIONAR NÃO É PRECISO

texto escrito em 2013 para o site fãs da psicanálise. Revisado e republicado em 2017

R. C. Migliorini

Este é o primeiro texto do ano. Contudo, ele não é tão próprio para esta época, pois nele apenas menciono que coisas maravilhosas aconteceram em 2013. Embora elas tenham tido continuidade neste início de 2014 que, portanto, já começou bem, algumas, muito necessárias, ainda não aconteceram. Deste modo, por mais que eu tente, relaxar é bem difícil.

Falo aqui do relaxamento porque já faz algum tempo que eu estou com a palavra na mente. Conquanto eu já tenha escrito sobre o assunto, por ele me parecer bem importante e ainda não ter sido esgotado, resolvi prosseguir com ele.

Apesar do meu interesse no tema ser bastante atual, pode-se dizer que sua semente foi plantada há muito tempo, pois quando eu era pequeno fiz ludo-terapia e uma das técnicas usadas ali era o relaxamento. Foi a partir daí que eu comecei a gostar da coisa, até porque naquela época relaxar fez muito bem a mim. Depois, ao longo da vida eu voltei a me deparar com o procedimento inúmeras vezes, e voltei a fazê-lo na prática somática que adotei, já que, invariavelmente, todas as atividades corporais que agregam mente e corpo usam bastante o relaxamento.

Assim, venho me perguntando sobre a sua função em contextos de cura.

Especificamente sobre terapias somáticas, Martha Eddy em “A brief history of somatic practices and dance” diz que nessas práticas as pessoas dedicam-se a “ouvir o corpo”, em geral começando com o relaxamento consciente no chão ou em mesa de massagem. A partir deste estado de redução de gravidade são orientadas a prestar atenção nas sensações corporais que brotam do seu interior e a se movimentar delicada e lentamente para adquirir uma consciência mais profunda do “self” que se move.

Aí estão algumas pistas: relaxar significa aquietar corpo e mente para ouvi-los e ouvir-se a si mesmo. Em geral, isso é algo que nossa cultura e nosso estilo de vida nos impedem de fazer. Se a cisão conosco mesmo começa assim, relaxar, embora pareça o extremo da passividade, é uma forma ativa de começar a restaurar a nossa integridade.

Sendo assim: relaxar, é preciso.

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Vídeo de Rogerio Migliorini

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Fico impressionado por este tipo de vídeo, porque mostra como o pé humano é capaz de desenvolver habilidades “manuais” de coordenação finíssima. Não se trata de um pé especial, sobrenatural ou diferente do meu, e nem foi super treinado por uma técnica científica de altíssima complexidade, mas pelo uso do dia-a-dia. Simples assim!

This kind of video strikes me because it shows how humans are able to develop amazing skills out of nothing. It’s not talking about special persons, supernatural beings, or x-men. Not even about an skill that was trained trough a highly scientific and complex technique. It shows an ordinary skill that was developed though the ordinary use of our plain body. It shows how we are powerful with what we already have. Just that!

Via Reinaldo César Branco

On the artist’s stand

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When I was fit and young I wouldn’t have the guts to pose nude for artists. Now that I’m fifty and disabled, I do. And surprisingly enough I’m getting called  by the artists to pose other times.  I guess it’s the healing power of maturity.

Quando eu estava em forma e era jovem eu não teria coragem de posar nu para artistas. Agora que tenho 50 anos e deficiência física, essa coragem existe. E surpreendentemente eu estou sendo chamado pelos artista pra fazer outros trabalhos. Deve ser o poder curativo da maturidade.

Artistas: Rubi, Ernandes Silva, Geraldo Larentino, Marcelo Parra

Modelo: Rogério Migliorini

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