CMON – Cave of Monsters / AMTRO – Aliança dos Monstros

Trespassing of Boundaries and Unification of Differences Through Art


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A ponta e o pinto

Adaptado do livro “Curadores Feridos e outros frankensteins: quinze apostas nos opostos” do mesmo autor .

Consideremos duas situações. Na primeira, uma bailarina dança em sapatilhas de pontas. Na segunda, um pinto, que alguns astronautas levaram para o espaço, é solto em gravidade zero no interior de um laboratório espacial. A bailarina parece flutuar, enquanto o pinto de fato flutua. Os movimentos dela são harmoniosos, mas os dele, desajeitados ao extremo, já que o pobrezinho se debate freneticamente quando solto no interior da nave.

É que para se equilibrar nas pontas dos pés e transmitir a ideia de que levita, a bailarina precisa exercer grande força contra o chão. Em outras palavras: a fim de criar a ilusão de pairar, a bailarina deve usar a resistência oferecida pelo solo e, com muita força, empurrar contra ele as partes do corpo que o tocam.

Já a pequena ave não consegue mover-se de modo eficiente e harmonioso justamente pela ausência de peso. Com a falta de peso nos pontos em que seu corpo deveria fixar-se para exercer força contra outras partes de si mesmo e do meio, mover-se se torna impraticável.

Sem pontos de apoio e peso que possibilitam ancorar uma parte do corpo no chão, acontece com o pintinho o mesmo que aconteceria com um carro que perdesse aderência em uma estrada molhada. A roda do carro gira em falso e os pés da avezinha movem-se ao léu.

Uma águia ou avião que não pudessem “apoiar-se” no ar tampouco poderiam voar ou direcionar seus movimentos com eficiência. Sem atmosfera para retê-los no ar eles cairiam do céu como uma pedra; sem gravidade, ficariam flutuando eternamente. Basta imaginar um paraquedas fechando-se em pleno voo ou o cabo que mantém o astronauta preso à nave romper-se.

Se é o contato com o solo que nos dá força e permite o movimento físico, o que nos transmite força interna é o contato com a nossa essência, com o solo interior de cada um. Paremos, pois, de nos debater como o pintinho em um ambiente sem gravidade, enfraquecido e desorientado por ser incapaz de tocar a terra. A bailarina nos espera, não para nos ensinar a voar, mas para provar que voar só é possível com os pés bem plantados no chão.

Rogério C. Migliorini

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Os cool também choram

Outro dia pensei no que um cara falou em um blog de pessoas cool. Elas não são cool porque querem. É como uma pessoa que não faz as coisas pra lançar moda, mas que lança. Segundo ele, não fazer esforço é uma característica das pessoas cool.

 

Eu nunca aceitei o rótulo de CDF, porque esse rótulo sugere que a pessoa se mata de estudar. Eu nunca me matei de estudar, nunca passei noites em claro, rachando, e se eu tirava notas boas, o fazia sem nenhum esforço. Ser aprovado era natural. Eu não tirava notas boas porque puxava o saco dos professores, porque isso eu jamais fiz.

 

A necessidade do esforço deve ser meio judaico-cristã. Protestante, como dizia Weber? Acho que o buraco é bem mais embaixo. Sei que algumas vezes parece que nada serve sem esforço, dor ou sofrimento. Parece que sem essas coisas, somos desonestos.

 

Por outro lado me intrigava saber que em biologia, um sistema é tanto melhor quanto menos energia consome. Então, um pássaro que voa sem esforço não consome energia. Por isso os urubus ficam horas planando nas térmicas e os albatrozes passam a vida nos ares aproveitando os ventos e voando enormes distâncias sem desperdiçar energia batendo as asas.

 

Outro dia soube de um cavalo que sobrevive na Sibéria porque faz o mínimo de movimento possível durante o inverno. Assim ele come pouco em épocas de escassez de alimento. O coala australiano dorme o dia todo pra economizar a pouca energia que as folhas de eucalipto, seu alimento, lhe dão.

 

Hibernar é uma forma de economizar energia. Como é também ter um corpo aerodinâmico e que vença com facilidade a resistência da água.

 

Portanto, não fazer esforço não significa ser vagabundo e irresponsável, ou montar na desgraça alheia. Ser econômico em termos de esforço é ser inteligente, e isso, infelizmente, talvez seja pra poucos. Os burros é que fazem esforços desnecessários, padecem, são espertalhões, desonestos, etc. Os inteligentes são aqueles pra quem as vitórias são naturais. Eles não precisam pisar em ninguém, fazer valer sua autoridade por motivos banais, tripudiar em cima dos outros, desconsiderar fulano e por aí vai. Ou seja, sensibilidade e empatia são formas de inteligência.

 

Minha amiga e meu amigo, você não é um carrapato que vive confinado ao corpo alheio, mas sim um albatroz que vive a errar sobre os mares sem fim. Quando for o caso, mande os parasitas à merda; olhe-os do alto da sua inteligência e talento. Tudo que eles fazem pra lhe ferrar, é por inveja da sua esperteza, assim como da sua capacidade de ser solidário e de se importar com os outros. Coitado de quem se compraz em lhe ver sofrer, em sugar seu sangue e em jogar sujo com você. Os carrapatos e sanguessugas são eles. Seja a pessoa cool que você é.

 

Eu adoro estar ao lado de pessoas cool, mas ninguém nos contou do pedaço em que a gente sofre. Por isso vou fazer um filme: “Os cools também choram. :-)”

Rogério C. Migliorini

 

Vídeo de Rogerio Migliorini

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Fico impressionado por este tipo de vídeo, porque mostra como o pé humano é capaz de desenvolver habilidades “manuais” de coordenação finíssima. Não se trata de um pé especial, sobrenatural ou diferente do meu, e nem foi super treinado por uma técnica científica de altíssima complexidade, mas pelo uso do dia-a-dia. Simples assim!

This kind of video strikes me because it shows how humans are able to develop amazing skills out of nothing. It’s not talking about special persons, supernatural beings, or x-men. Not even about an skill that was trained trough a highly scientific and complex technique. It shows an ordinary skill that was developed though the ordinary use of our plain body. It shows how we are powerful with what we already have. Just that!

Via Reinaldo César Branco