Roda de Cura/Centauros Feridos

Arte, saúde e seres híbridos: transgressões e integrações de fronteiras


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SPFW LABORATÓRIO FANTASMA

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Entre vão e vácuo

(Rogério C. Migliorini)

 

A Arte-educadora e gravurista brasileira, Fayga Ostrower, aborda o tema do equilíbrio ao tratar da criatividade e dos processos de criação. Ela diz que para o ser humano o equilíbrio interno “não é um dado fixo nem um estado ideal, e sim algo que a todo instante precisa ser reconquistado.” É, portanto, “um processo contínuo em que, cada momento de estabilidade,” seja ele interno ou externo, “é imediatamente questionado”. Assim, “viver, para nós, torna-se um incessante ter-que-se-desequilibrar a fim de alcançar algum tipo de equilíbrio dentro de si”.

A criadora estabelece, assim, juntamente com outros autores, uma correspondência direta entre os processos internos e externos relativos ao equilíbrio.

Externamente, o processo pode ser observado no número circense de equilíbrio em escada sem apoio. Nele, além de seu executante nunca parar de movimentar a escada, seu corpo oscila tanto a ponto de parecer que em alguns momentos sua queda é iminente. Afora visar o suspense da plateia, esses “balanços” deixam claro que o ponto de equilíbrio do conjunto corpo/aparelho está continuamente sendo buscado.

De forma semelhante o equilíbrio participa do andar, pois nele estabilizamo-nos sobre uma perna até ultrapassarmos o ponto máximo em que podemos ficar sobre ela. Então, perdemos a estabilidade e, a fim de evitar a queda, colocamos a perna que não apoia o peso do corpo na frente da que antes o fazia. Imediatamente retomamos a firmeza sobre este novo apoio para em seguida desabarmos outra vez. O ato contínuo adia a queda, que é assim substituída por passos. Portanto, nosso andar nada mais é que um ato constante de equilíbrio e desequilíbrio.

Esses exemplos não sugerem a impropriedade de rejeitarmos algumas de nossas facetas, já que elas também são necessárias à nossa constituição? Não seria melhor aprendermos a lidar, não só com os vãos externos a nós, mas também com o vácuo existente em nosso interior?

A radionovela como proposta de Arte-terapia com deficientes visuais

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KOPELMAN, C. G. e MIGLIORINI, R. C. A radionovela como proposta de Arte-terapia com deficientes visuais.   In: FRANCISQUETTI, A. A. (Org). Arte-reabilitação: um caminho inovador na área da Arteterapia. p. 201-220. Rio de janeiro, Wak Editora, 2016 (ISBN 978-85-7854-379-2)

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Placa adaptada devolve autonomia a artista com deficiência motora

Dispositivo foi desenvolvido por equipe multiprofissional da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto

Antes de ter acesso ao dispositivo, Joyce utilizava somente os dentes para segurar pincéis e digitar, o que causava dores e desgaste de sua arcada – Foto: Divulgação/Forp

Devido a uma doença neurológica, a artista plástica Elizandra Joyce Bueno tem espasmos musculares por todo o corpo. Ela nasceu com distonia generalizada congênita, um distúrbio que provoca contrações involuntárias e que poderia tê-la impedido de continuar pintando. Mas Joyce, como prefere ser chamada, conta com a ajuda de um dispositivo especial que a auxilia nos movimentos com a boca, sem prejudicar seus dentes e sua mordida.

Assistida por uma equipe multiprofissional da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp) da USP, a artista usa uma placa miorrelaxante de acrílico adaptada. Usada por pacientes com bruxismo e dores faciais, a ferramenta foi personalizada para suas necessidades. Esses profissionais – cirurgião-dentista, médico, fisioterapeuta, protético e engenheiro mecânico – são especialistas do Centro de Formação de Recursos Humanos Especializados no Atendimento Odontológico a Pacientes Especiais (Caope) da Forp.

Placa adaptada apresenta dispositivo para digitação e pintura – Foto: Divulgação/Forp

A placa foi moldada individualmente para se adaptar aos dentes e à mordida da paciente, evitando que seus dentes sofram apertamento, explica a professora Andiara De Rossi, do Departamento de Clínica Infantil da Forp e integrante do Caope.

Os especialistas providenciaram uma cavidade de encaixe na arcada dentária superior da placa, com dispositivos de madeira que facilitam o encaixe dos pincéis e do lápis que a artista utiliza para digitar no teclado do computador. Segundo Andiara, uma alternativa de baixo custo, fácil adaptação e confecção. “Além de cuidados com a saúde bucal, nossa equipe apresentou um olhar voltado para as demais necessidades dos pacientes portadores de deficiência, que no Brasil encontram pouco suporte e apoio especializado”, afirma.

Detalhe da placa miorrelaxante – Foto: Divulgação/Forp

“A Joyce começou a pintar aos 13 anos de idade e usava os dentes para segurar pincéis”, lembra Ondina Bueno, mãe da artista. Com o tempo, começou a sentir dores e seus dentes amolecerem. Segundo a professora, a essa altura a artista tinha desenvolvido Disfunção Temporomandibular (DTM), overjet acentuado (dentes incisivos inclinados e projetados para frente), diastemas (espaço extra entre os dentes), mobilidade e desgastes dos incisivos superiores (dentes superiores frontais).

Joyce começou a pintar aos 13 anos de idade – Foto: Divulgação/Forp

Para as dores na região da cabeça, pescoço e articulação temporomandibular, a equipe da Forp investiu em fisioterapia e acupuntura. E, a cada seis meses, Joyce é submetida a aplicações de toxina botulínica, que diminui as contrações musculares em outras partes do corpo, como braços e pernas.

Uma das obras de Joyce – Foto: Arquivo pessoal

“Hoje, ela tem acesso ao computador”, conta satisfeita dona Ondina. A inclusão digital da paciente, com acesso às redes sociais, é importante. E esse dispositivo garante acesso digital a pacientes portadores de tetraplegia ou deficiências que não permitem o uso dos dedos das mãos ou pés, por meio de adaptações feitas de acordo com a necessidade de cada um.

Pessoas com deficiências motoras, como Joyce, encontram opções como os computadores por comando de voz, língua e movimentos dos olhos. Mas são alternativas de alto custo e que muitas vezes não estão disponíveis no mercado brasileiro. Para Andiara, “essa é a vantagem da placa de acrílico com encaixe, além de promover alívio das dores, proporciona inclusão social e digital, devolvendo autonomia, independência e qualidade de vida”.

Integram a equipe que assiste Joyce os professores Aldevina Campos de Freitas, Fabrício Kitazono de Carvalho, Raquel Assed Bezerra da Silva, Kranya Diaz Serrado, Alexandra Mussolino de Queiroz e Andiara De Rossi, a cirurgiã-dentista Carolina Paes Torres, o técnico José Carlos Ferreira Jr. e as alunas Késsia Suênia Guimarães e Michela Camilo.

Caope

Fachada da Clínica de Pacientes Especiais – Foto: Divulgação/FORP

O Centro de Formação de Recursos Humanos Especializados no Atendimento Odontológico a Pacientes Especiais, da Forp, atende de forma multidisciplinar pacientes especiais de todas as idades. Oferece serviços à comunidade abrangendo procedimentos educativos e preventivos, como orientação de higiene bucal; dentística restauradora; periodontia; tratamento endodôntico; extrações dentais; aparelhos ortodônticos; procedimentos cirúrgicos especiais; entre outros.

Mais informações: e-mail andiara@usp.br

Por Giovanna Grepi


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Mini Look do Dia

Ela consegue usar brilho com naturalidade durante o dia, não erra jamais nas sobreposições e faz o estilo moderninha do Baixo Augusta. Inspirada nas blogueiras que publicam o visual adotado no dia, Natalia Cruz, de 23 anos, criou no Instagram o Mini Look do Dia. Na página, posta as combinações escolhidas para ir trabalhar ou sair à noite. Em dois meses, ganhou 6 600 seguidores. “Muita gente elogiou minha atitude”, conta. “O mundo fashion é plural e não precisa segregar.” Uma de suas regras é jamais divulgar as marcas que usa. “Tem gente que veste as peças porque as recebeu de presente, e não porque as escolheu na loja.” Nascida no Uruguai, ela se mudou com a família para São Paulo aos 5 anos de idade. Formada em design gráfico pela Faap, mora com o pai e a irmã em Alphaville e trabalha em uma agência de publicidade no Brooklin. Com 1,28 metro, realiza suas compras em lojas como a Maria Filó. “Peço ao costureiro para cortar as mangas das blusas”, revela. Recorre a butiques de crianças quando precisa de sapatilhas. “Eu calço 32”, explica. Natalia namora há cinco anos o artista plástico Silvio Senne, de 26 anos e 1,85 metro. “Nós nos conhecemos na boate Glória, na Bela Vista”, lembra. Ele virou o fotógrafo oficial das fotos postadas no Instagram.

Trecho de reportagem publicada pela Veja São Paulo http://vejasp.abril.com.br/cidades/anoes-conquistam-mercado-trabalho/