centauros feridos

Blog que relaciona arte, movimento e cura.

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Esculturas de Spartak Dermendjiev

UMA PALAVRINHA SOBRE O BLOG

No início da minha carreira de bailarino, reflexões sobre um monstro da ficção – nosso conhecido Frankenstein –, originaram uma peça que posteriormente gerou o livro intitulado Curadores feridos e outros frankensteins (leia partes dele em português e inglês em Livros/Books, Livro e Book ou solicite-o em formato impresso ou ebook clicando na imagem abaixo).

Mesmo não sendo uma adaptação da peça, Curadores feridos […] tomava, do mesmo modo, monstros como metáfora, partindo do princípio de que seus corpos híbridos refletiam um embate entre aspectos opostos internos ou externos a nós.

Em seguida criei este blog referindo-me a outro monstro ou ser híbrido, o centauro e curador ferido Quíron.

Consequentemente, percebi que lidar com monstros e seres híbridos marca a minha identidade artística e me permite debater  a diversidade, o hibridismo, a interculturalidade, as fronteiras e suas transgressões, sempre a partir do corpo e da arte.

UMA PALAVRINHA SOBRE O CENTAURO QUÍRON, O CURADOR FERIDO

Um dos arquétipos do curador ferido é Quíron, rei dos centauros, curador, músico e tutor de grandes heróis da mitologia grega.

No mito, ele é acidentalmente ferido por uma flecha envenenada. Seu ferimento seria letal para qualquer outro. Todavia, como Quíron era um semideus, embora ferido, não podia morrer. Então,  ele sofria de dores atrozes em uma agonia eterna.

Contudo,  incapaz de curar sua própria ferida, justamente por sua causa ele aperfeiçoou-se mais e mais na cura das feridas alheias, embora seguisse incapaz de curas as próprias..

Por crer que vários tipos de feridas nos acometem ao longo da vida, pois ela nos fere a todos, percebo uma íntima relação entre o drama mítico e a tragédia verídica.

E a semelhança de Quíron, sou um artista, um curador ferido  e um pensador, sendo que o meu remédio é a arte. Igualmente, sou incapaz de sanar minhas próprias chagas. Assim, por meio da arte, procuro, ao menos, aliviar as dores alheias e, nessa troca, quem sabe, obter alivio também para as minhas.

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